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Como Upton Sinclair Descobriu o Jejum e Transformou Sua Sa?de

Como Upton Sinclair descobriu o jejum em 1911 e superou problemas cr?nicos de sa?de? A hist?ria por tr?s de The Fasting Cure e o que ele encontrou que ainda ressoa hoje.

FastingInPractice Editors

Como Upton Sinclair Descobriu o Jejum e Transformou Sua Sa?de

Upton Sinclair ? mais lembrado por The Jungle, seu livro-reportagem de 1906 sobre a ind?stria americana de processamento de carnes, que chocou o pa?s e ajudou a reformular a legisla??o de seguran?a alimentar. Mas outra grande interven??o de sa?de na vida de Sinclair ? o jejum ? recebe muito menos aten??o, apesar de ter gerado o que ele descreveu como a melhora mais dram?tica de seu bem-estar em toda a sua vida.

Em 1911, Sinclair publicou The Fasting Cure, um registro de seus experimentos pessoais com jejum e os relatos de outras 277 pessoas que o haviam praticado. ? um documento not?vel: apaixonado, em primeira pessoa, ocasionalmente exagerado e ? visto ? dist?ncia de um s?culo de ci?ncia ? surpreendentemente preciso em v?rios pontos que a pesquisa moderna veio confirmar. O jejum intermitente, hoje amplamente estudado, tem ra?zes hist?ricas muito mais profundas do que muitos imaginam.

Os Problemas de Sa?de Que o Levaram ao Jejum

Antes de descobrir o jejum, Sinclair sofreu por anos com um conjunto de sintomas debilitantes: nervosismo cr?nico, ins?nia persistente e dores de cabe?a t?o frequentes que ele escreveu mais tarde que estava "nunca mais de quinze minutos ? frente de uma dor de cabe?a". Por sua pr?pria conta, era um destro?o f?sico que n?o conseguia fazer um trabalho intelectual sustentado sem pagar por isso com dias de prostra??o depois.

O que tornava isso particularmente frustrante para um homem de seu intelecto e determina??o era que ele havia tentado de tudo que estava dispon?vel. Estimou ter gasto aproximadamente US$ 15.000 ? uma soma enorme em 1911, equivalente a cerca de um quarto de milh?o de d?lares hoje ? em m?dicos, cirurgi?es, farmac?uticos e sanat?rios. Havia experimentado vegetarianismo, dietas de alimentos crus e dietas ? base de carne. Algumas trouxeram melhora breve; nenhuma produziu mudan?a duradoura.

"Eu havia gasto mais de quinhentos d?lares tentando melhorar com medicamentos", ele escreveu, narrando uma carta de um de seus leitores. "Custou-me apenas trinta centavos usar o seu m?todo, e por esses trinta centavos obtive um al?vio um milh?o de vezes mais ben?fico."

A Descoberta

Sinclair chegou ao jejum por meio do movimento de cultura f?sica que ganhava for?a na Am?rica do in?cio do s?culo XX. Bernarr Macfadden, um empreendedor do fitness que administrava sanat?rios e publicava revistas de sa?de, estava entre seus defensores proeminentes. A ideia de que a abstin?ncia volunt?ria de alimentos poderia curar doen?as cr?nicas pareceu a Sinclair ora charlatanismo, ora a mais importante descoberta de sa?de que havia encontrado. Ele decidiu testar em si mesmo.

Seu primeiro grande protocolo de jejum durou doze dias.

Os Primeiros Doze Dias

O relato de Sinclair sobre seu primeiro jejum prolongado ? v?vido e espec?fico. Os primeiros quatro dias foram dif?ceis ? ele experimentou intensa languidez f?sica, tonturas ao levantar e uma fraqueza persistente que o fazia duvidar que conseguiria continuar. Ele perdeu sete quilos nesses quatro dias, o que mais tarde reconheceu como sinal de um "estado tecidual extremamente prec?rio" ? uma grande quantidade de ?gua e res?duos metab?licos que seu corpo eliminou rapidamente quando o peso da digest?o foi removido.

Ap?s os primeiros dias, algo inesperado aconteceu. A fraqueza f?sica permaneceu, mas sua mente ficou extraordinariamente clara. Ele escreveu que "lia e escrevia mais do que havia ousado fazer por anos antes". Relatou dormir bem durante todo o jejum. A partir do quarto dia, perdeu apenas um quilo nos oito dias restantes ? a economia do organismo entrando em a??o, preservando os tecidos essenciais enquanto metabolizava os res?duos.

Ap?s doze dias, ele encerrou o jejum com cuidado ? come?ando com pequenas quantidades de suco de laranja e suco de uva, passando para leite morno, reconstruindo gradualmente ao longo de v?rias semanas. Ganhou quatorze quilos em vinte e quatro dias com uma dieta de recupera??o ? base de leite, e descreveu todo o per?odo de recupera??o como uma fase de "extraordin?ria paz, atividade mental e desejo de movimento f?sico" como nada que havia experimentado em anos.

Esse padr?o ? dificuldade inicial, depois clareza, depois recupera??o profunda ? se repetiria em seu segundo jejum e em dezenas dos casos que ele coletaria posteriormente.

O Segundo Jejum

Sinclair jejuou novamente, tamb?m por doze dias. O contraste com sua primeira experi?ncia foi marcante. Desta vez, n?o houve fraqueza. Ele caminhava seis quil?metros todas as manh?s e fazia exerc?cios leves de gin?stica durante todo o jejum. Perdeu quatro quilos em oito dias. Descreveu sua mente como t?o ativa que "lia e escrevia incessantemente". Quando o jejum terminou, comeu laranjas e figos por uma semana e recuperou seu peso.

Sua conclus?o a partir dessas duas experi?ncias tornou-se o alicerce de seu livro: o jejum n?o era perigoso, n?o era inani??o e nem mesmo era particularmente dif?cil ap?s os primeiros dois ou tr?s dias. Era, acreditava ele, o mecanismo pelo qual o corpo reparava os danos acumulados de anos de excessos alimentares e a consequente fermenta??o de nutrientes em excesso no trato digestivo.

Sua Teoria de Por Que Funcionava

O arcabou?o explicativo de Sinclair para o jejum estava enraizado no conceito m?dico vitoriano de "autointoxica??o" ? a ideia de que alimentos superfermentados no trato digestivo produziam toxinas que envenenavam o sangue e os tecidos, causando desde dores de cabe?a at? reumatismo e exaust?o nervosa. Essa teoria era cientificamente contestada mesmo em 1911 e n?o sobreviveu em sua forma original.

Mas a observa??o central ? de que o sistema digestivo, ao receber um descanso completo, poderia redirecionar energia para processos de reparo em outras partes do corpo ? se alinha de maneiras importantes ao que a ci?ncia moderna confirmou. O que Sinclair chamava de "purifica??o" corresponde, na biologia contempor?nea, ? autofagia: o processo celular pelo qual o corpo quebra e recicla prote?nas danificadas e organelas. Para um olhar moderno sobre o que acontece no seu corpo durante um jejum, veja O que acontece com seu corpo durante o jejum intermitente.

Onde a teoria de Sinclair estava correta:

  • O corpo de fato metaboliza preferencialmente tecidos danificados e n?o essenciais antes dos tecidos saud?veis durante o jejum prolongado ? isso se alinha ao que hoje entendemos como autofagia seletiva
  • O descanso digestivo realmente permite que processos de reparo prossigam, processos esses que s?o suprimidos pelas demandas constantes da digest?o
  • A fome realmente desaparece em grande parte ap?s os primeiros dois a tr?s dias de jejum, ? medida que o corpo faz a transi??o para o metabolismo de gordura ? isso est? bem documentado na literatura de fisiologia

Onde sua teoria foi longe demais:

  • O mecanismo de "autointoxica??o" n?o foi validado pela microbiologia subsequente
  • As afirma??es sobre tuberculose, infec??es graves e doen?as org?nicas sendo curadas apenas pelo jejum n?o foram substanciadas
  • Os jejuns de 90 dias relatados na institui??o de Macfadden, se precisos, foram realizados em condi??es que n?o podemos avaliar e n?o seriam recomendados hoje

As 277 Cartas

Ap?s seu artigo sobre jejum aparecer na Cosmopolitan, Sinclair recebeu entre 600 e 800 cartas de leitores que haviam praticado o jejum com base em seu relato. Ele tabulou 277 desses casos. Das 109 pessoas que relataram sobre esses epis?dios, 100 relataram benef?cios e apenas 17 relataram nenhum benef?cio. As condi??es supostamente ajudadas inclu?am reumatismo, dist?rbios digestivos cr?nicos, asma, ins?nia, doen?as de pele, exaust?o nervosa e dores de cabe?a persistentes.

Esses n?o eram ensaios cl?nicos. Eram autorrelatos de leitores motivados, sem grupo de controle e sem verifica??o m?dica. Sinclair reconheceu isso. Mas a consist?ncia dos relatos em condi??es e geografias diversas foi marcante para ele ? e o padr?o que eles descreviam se mapeia razoavelmente bem no que hoje sabemos sobre os efeitos anti-inflamat?rios e metab?licos do jejum. Para uma vis?o geral das evid?ncias sobre jejum e inflama??o, veja O jejum intermitente reduz a inflama??o?.

O Que Sinclair Acertou

Mais de um s?culo depois, algumas das afirma??es mais contraintuitivas de Sinclair envelheceram de forma not?vel:

A fome desaparece. Ele insistia que os dias mais dif?ceis s?o os dois ou tr?s primeiros, ap?s os quais a fome desaparece em grande parte. Isso ? hoje compreendido pela fisiologia da grelina: a grelina (o horm?nio da fome) aumenta inicialmente, mas se adapta para baixo em 24 a 48 horas ? medida que o corpo faz a transi??o de estados metab?licos.

A clareza mental melhora. Sinclair relatou consistentemente fun??o cognitiva aprimorada por volta do quarto ou quinto dia. A pesquisa contempor?nea sobre cetonas (o combust?vel alternativo do c?rebro durante o jejum prolongado) e o BDNF (fator neurotr?fico derivado do c?rebro, que o jejum regula positivamente) fornece um mecanismo plaus?vel para essa observa??o.

Encerrar o jejum ? o momento mais perigoso. Sinclair escreveu que encerrar o jejum de forma incorreta ? com uma refei??o pesada ap?s um per?odo prolongado sem comida ? era o maior risco do jejum. Isso est? hoje formalizado como s?ndrome de realimenta??o: as perigosas altera??es eletrol?ticas que podem se seguir a um retorno r?pido ? alta ingest?o de carboidratos ap?s jejum prolongado.

A ?gua ? essencial. Sua instru??o pr?tica mais repetida era beber grandes quantidades de ?gua ao longo do processo. Isso continua sendo central para a pr?tica segura de jejum hoje.

O Que Sua Hist?ria Nos Ensina

A hist?ria de jejum de Sinclair n?o ? um estudo de caso m?dico. ? o relato de uma pessoa determinada e intelectualmente rigorosa que testou uma interven??o radical em si mesma, documentou-a cuidadosamente, coletou as experi?ncias de centenas de outras pessoas e publicou suas descobertas numa ?poca em que o jejum era amplamente descartado pelo establishment m?dico.

Sua coragem ao faz?-lo ? e a hostilidade que encontrou da imprensa m?dica ? espelha a trajet?ria que a ci?ncia do jejum seguiria pelos pr?ximos cem anos: descartada, depois marginalmente aceita, depois cada vez mais validada ? medida que os mecanismos celulares foram compreendidos. O Pr?mio Nobel de Fisiologia de 2016 pela pesquisa sobre autofagia foi, em certo sentido, uma vindica??o da observa??o de que o jejum ativa um profundo modo de reparo biol?gico ? que ? exatamente o que Sinclair havia dito, em linguagem mais rudimentar, em 1911.

A li??o n?o ? que Sinclair estava certo em tudo. N?o estava. A li??o ? que a auto-observa??o cuidadosa, combinada com a coleta ampla de dados, pode identificar fen?menos reais mesmo antes de a ci?ncia ter as ferramentas para explic?-los.


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Perguntas Frequentes

Upton Sinclair era m?dico ou profissional de sa?de? N?o. Sinclair era jornalista e reformador social, mais conhecido por The Jungle. Seu trabalho sobre jejum era baseado inteiramente em experimenta??o pessoal e nos depoimentos coletados de leitores ? n?o em pr?tica cl?nica. Ele foi transparente sobre isso ao longo de todo o livro.

Quanto tempo duravam os jejuns de Sinclair? Seus dois principais jejuns pessoais foram de doze dias cada. Ele nunca realizou o que chamava de "jejum completo" ? ou seja, aquele estendido at? o retorno da fome genu?na, que para alguns sujeitos durava muitas semanas. Ele considerava seus pr?prios jejuns de doze dias ben?ficos, mas incompletos por esse crit?rio.

The Fasting Cure ainda ? relevante hoje? Como documento hist?rico, sim ? oferece um retrato detalhado de como o jejum era compreendido e praticado antes da bioqu?mica moderna. V?rias das observa??es centrais de Sinclair se alinham com a pesquisa contempor?nea sobre autofagia, horm?nios da fome e comuta??o metab?lica. Como orienta??o m?dica, deve ser tratado apenas como refer?ncia hist?rica, n?o como protocolo cl?nico.

O jejum de Sinclair curou seus problemas de sa?de permanentemente? Segundo seu pr?prio relato, sim ? ele descreveu que as dores de cabe?a cr?nicas, a ins?nia e a exaust?o nervosa que o haviam afligido por quase uma d?cada se resolveram ap?s suas experi?ncias com jejum e n?o voltaram quando ele manteve as pr?ticas alimentares e de jejum que havia adotado. Ele atribuiu isso ? combina??o de jejum, uma dieta baseada em carne magra grelhada e ?gua quente, e ? evita??o de alimentos amil?ceos fermentados.

Qual ? o equivalente cient?fico moderno do que Sinclair chamava de "purifica??o"? O paralelo moderno mais direto ? a autofagia ? o processo celular pelo qual o corpo quebra e recicla prote?nas danificadas, mitoc?ndrias disfuncionais e detritos celulares. A autofagia ? regulada positivamente durante o jejum, tipicamente come?ando de forma significativa ap?s 16 a 17 horas de abstin?ncia alimentar. ? amplamente estudada como mecanismo para a manuten??o da sa?de celular e longevidade.


Este artigo faz refer?ncia a relatos hist?ricos de "The Fasting Cure" de Upton Sinclair (1911) e tem fins exclusivamente informativos. N?o constitui aconselhamento m?dico. Consulte sempre um profissional de sa?de antes de fazer altera??es na sua dieta.


Este artigo ? apenas para fins informativos e n?o constitui aconselhamento m?dico. Consulte sempre um profissional de sa?de qualificado antes de iniciar qualquer protocolo de jejum, especialmente se tiver alguma condi??o de sa?de pr?-existente.

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