Por que me sinto eufórico e quase "alto" durante um jejum prolongado? É normal?
Resposta Rápida
Sim — é completamente normal e tem uma explicação fisiológica clara. Quando você jejua por um período prolongado, seu cérebro passa a usar cetonas como combustível, o BDNF aumenta, a norepinefrina sobe e a inflamação cai. Juntos, esses fatores produzem uma sensação distinta de clareza mental, energia calma e, às vezes, euforia genuína. Praticantes experientes de jejum intermitente chamam de "euforia do jejum", e até Upton Sinclair descreveu isso em 1911 — "Li e escrevi mais do que havia ousado fazer durante anos antes." Você não está imaginando.
A Explicação Completa
1. Cetonas São Psicoativas
Quando o glicogênio (glicose armazenada) diminui durante um jejum, seu fígado começa a converter a gordura armazenada em cetonas. O beta-hidroxibutirato (BHB) — a principal cetona — aumenta a atividade de GABA no cérebro. GABA é o neurotransmissor calmante principal do cérebro, o mesmo alvo de medicamentos anti-ansiedade. Isso explica por que muitos praticantes de jejum intermitente se sentem não apenas aguçados, mas calmos e despreocupados — o cérebro está mergulhado em um combustível que potencializa naturalmente o GABA.
As cetonas também produzem menos detritos oxidativos durante o metabolismo do que a glicose. O resultado é uma forma mais limpa de energia neurológica, com menos subprodutos metabólicos que contribuem para o cansaço mental.
2. BDNF Aumenta
BDNF — Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro — é frequentemente descrito como um fertilizante para o cérebro. Ele promove o crescimento de novos neurônios, fortalece as conexões sinápticas e eleva o humor. O jejum intermitente é uma das formas mais confiáveis de aumentar o BDNF: estudos que mediram BDNF durante jejuns estruturados mostraram aumentos significativos que se acumulam progressivamente ao longo dos dias.
Maior BDNF está associado a melhor memória, pensamento mais rápido, maior estabilidade de humor e risco reduzido de depressão. A sensação de ideias conectando-se facilmente, de estar mais aguçado do que o normal, de sentir-se quase eletricamente acordado — essa é a experiência subjetiva do BDNF elevado em ação.
3. Norepinefrina Aumenta
A norepinefrina (noradrenalina) aumenta significativamente durante o jejum à medida que o corpo mobiliza gordura para energia. É o mesmo neurotransmissor elevado pela cafeína — exceto que a versão induzida pelo jejum é mais sustentada e não vem com uma queda. A norepinefrina elevada aguça a atenção, aumenta a conscientização e produz aquela sensação característica de estar "ligado" e energizado sem ansiedade.
Esse aumento de norepinefrina também aumenta ligeiramente a taxa metabólica — outra razão pela qual praticantes experientes de jejum intermitente sentem que têm mais energia durante o jejum do que quando comem constantemente.
4. Inflamação Diminui
A inflamação crônica de baixo grau — comum em pessoas que comem uma dieta rica em carboidratos e açúcar — prejudica a função cerebral de formas sutis mas persistentes. Contribui para o cansaço mental, processamento mais lento e humor baixo. Conforme a insulina cai durante o jejum e o corpo se afasta da glicose, os marcadores inflamatórios tipicamente diminuem nas horas seguintes.
A eliminação da inflamação é o que muitos praticantes de jejum intermitente descrevem como "o nevoeiro levantando". Os pensamentos vêm mais facilmente, a sensação física de peso desaparece, e o mundo fica um pouco mais nítido. Isso não é imaginação — é melhora neurológica mensurável.
5. Endorfinas Podem Ter um Papel
Alguns pesquisadores propuseram que o jejum prolongado desencadeia uma resposta leve de endorfinas, semelhante ao bem documentado "euforia do corredor". As endorfinas são compostos naturais do cérebro que aliviam a dor e elevam o humor. A experiência subjetiva de praticantes de jejum intermitente — a euforia, a sensibilidade reduzida ao desconforto, a sensação de paz interior — é consistente com o envolvimento de endorfinas, embora esse caminho seja menos estudado do que os das cetonas e norepinefrina.
Quando a Euforia Começa?
A maioria das pessoas relata o estado eufórico aparecendo entre 18 e 36 horas de jejum. As primeiras 12–24 horas podem parecer desconfortáveis — fome, alguma irritabilidade, possivelmente uma dor de cabeça enquanto o corpo faz a transição. Uma vez que o corpo muda completamente para cetose — tipicamente no final do primeiro dia, e mais rápido se você está comendo com baixo teor de carboidratos — a mudança de humor geralmente acontece subitamente e pode parecer surpreendente se você não estiver esperando.
Devo Estar Preocupado?
Não — a menos que a euforia seja acompanhada de confusão, desorientação ou batimento cardíaco rápido, o que sugeriria baixa de açúcar no sangue em alguém com diabetes ou outra condição médica. Para uma pessoa saudável, a euforia do jejum é um sinal de que o corpo está funcionando de forma limpa e eficiente. É uma adaptação positiva, não um aviso.
A única nota prática: o estado mental elevado durante o jejum prolongado pode fazer você se sentir tentado a superestimar suas capacidades físicas. A capacidade de exercício pode estar ligeiramente reduzida, mesmo com desempenho mental elevado, especialmente se os eletrólitos estiverem baixos.
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