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Jejum Antes de Virar Moda: Os Pioneiros Que Usaram Primeiro

Muito antes da ci?ncia moderna, pensadores not?veis defenderam o jejum como medicina. Conhe?a a hist?ria dos pioneiros esquecidos do jejum intermitente.

FastingInPractice Editors

Jejum Antes de Virar Moda: Os Pioneiros Que Usaram Primeiro

Hoje, o jejum intermitente ? debatido em revistas m?dicas, figura em livros de grande sucesso e ? praticado por dezenas de milh?es de pessoas no mundo todo. Mas a ideia de que se abster voluntariamente de alimentos pode melhorar ? e at? restaurar ? a sa?de n?o ? uma descoberta moderna.

Muito antes dos ensaios cl?nicos controlados, das contagens de macros e dos aplicativos de jejum, um pequeno grupo de pensadores fora do comum j? documentava os efeitos do jejum no corpo humano, defendia com ardor seu potencial terap?utico e, frequentemente, era ridicularizado por isso. As hist?rias dessas pessoas merecem ser conhecidas.

Contexto Hist?rico: O Jejum nas Eras Vitoriana e Eduardiana

No final do s?culo XIX, o modelo m?dico dominante girava em torno de interven??o farmacol?gica, tratamento cir?rgico e prescri??es diet?ticas muito espec?ficas. O jejum ? abster-se deliberadamente de comer ? era visto como pr?tica religiosa, excentricidade perigosa, ou ambas as coisas ao mesmo tempo. A ideia de que um corpo privado de alimento pudesse se curar parecia, para a grande maioria dos m?dicos da ?poca, uma ignor?ncia m?dica inadmiss?vel.

Foi nesse contexto que os primeiros pioneiros do jejum atuaram. Eles trabalhavam contra a medicina institucional, contra a opini?o popular e sem a linguagem bioqu?mica que mais tarde explicaria por que o jejum funcionava. O que tinham era observa??o, tenacidade e ? em alguns casos ? a pr?pria sa?de dramaticamente recuperada.

Upton Sinclair: O Jornalista Que Recuperou a Sa?de com o Jejum

O maior divulgador do jejum no in?cio do s?culo XX foi Upton Sinclair, mais conhecido pelo seu romance de den?ncia A Selva (1906), que exp?s as condi??es dos frigor?ficos americanos. Mas Sinclair tinha outra causa que perseguia com igual paix?o: o jejum como medicina.

Em seu pr?prio relato, no livro The Fasting Cure (1911), Sinclair afirma ter gasto aproximadamente 15.000 d?lares ao longo de seis a oito anos em m?dicos, cirurgi?es, sanat?rios e tratamentos medicamentosos para uma s?rie de queixas persistentes ? dores de cabe?a cr?nicas, ins?nia e o que ele descrevia como exaust?o nervosa constante. Nada funcionava de forma permanente.

Depois de ler sobre o jejum, Sinclair tentou seu primeiro per?odo prolongado: doze dias somente com ?gua, com banhos di?rios e descanso. Os resultados o surpreenderam. As dores de cabe?a que o acompanhavam havia anos simplesmente desapareceram. Sua energia e clareza mental atingiram n?veis que ele n?o experimentava h? uma d?cada.

Ele jejuou uma segunda vez ? mais doze dias ? e desta vez continuou seu trabalho intelectual durante todo o per?odo. Caminhava seis quil?metros toda manh? e descrevia sua mente como "t?o ativa que lia e escrevia incessantemente."

Sinclair fez ent?o o que jornalistas fazem: escreveu sobre isso. Um artigo na revista Cosmopolitan gerou entre 600 e 800 cartas de leitores que haviam tentado o jejum ap?s ler seu relato. Ele compilou esses depoimentos ? 277 epis?dios de jejum de 109 pessoas ? no livro The Fasting Cure, publicado em 1911 pela editora Mitchell Kennerley.

A resposta do establishment m?dico foi previsivelmente hostil. Sinclair foi descrito no New York Times como um "sensacionalista raso e sem escr?pulos." Das centenas de cartas que recebeu, apenas duas vieram de m?dicos.

Essa hostilidade, argumentava Sinclair, n?o era totalmente coincidente. O jejum era gratuito. Os m?dicos cobravam. Uma terapia que qualquer pessoa podia fazer em casa, sem custo algum, n?o se encaixava confortavelmente num sistema m?dico constru?do sobre prescri??es e honor?rios.

Bernarr Macfadden: Cultura F?sica e o Jejum Terap?utico

Antes de Sinclair, havia Bernarr Macfadden ? uma figura t?o extravagante que faz Sinclair parecer contido.

Macfadden era um promotor de cultura f?sica, editor e showman que construiu um imp?rio midi?tico no in?cio do s?culo XX com base no princ?pio de que a maioria das doen?as humanas era causada por m? alimenta??o, exerc?cio insuficiente e o que ele chamava de "medinic?dio" ? o uso excessivo de medicamentos e cirurgias. Fundou a revista Physical Culture em 1899 e acabou construindo um neg?cio editorial avaliado em milh?es.

O jejum terap?utico era central na filosofia de Macfadden. Ele administrava institui??es ? principalmente em Chicago ? onde as pessoas pagavam para jejuar sob supervis?o, ?s vezes por per?odos prolongados. Seu livro de 1923, Fasting for Health, documentou casos que inclu?am jejuns de 90 dias, e ele defendia o jejum peri?dico como manuten??o rotineira de sa?de para todos.

Os m?todos de Macfadden eram exc?ntricos e suas afirma??es por vezes exageradas, mas sua percep??o central ? de que o sistema digestivo se beneficia de repouso peri?dico, de que o corpo tem capacidade de autocura quando adequadamente apoiado e de que a qualidade dos alimentos importa tanto quanto a quantidade ? envelheceu consideravelmente melhor do que muitas das prescri??es farmacol?gicas de sua ?poca.

Sinclair referenciou o trabalho de Macfadden e citou casos ocorridos em suas institui??es. As duas figuras representavam o mesmo movimento de sa?de contracultural, embora partindo de pontos diferentes: Sinclair, o jornalista intelectual; Macfadden, o showman da cultura f?sica.

Dr. Edward Hooker Dewey: O M?dico Que Aboliu o Caf? da Manh?

Menos famoso do que Sinclair ou Macfadden, mas indiscutivelmente mais criterioso do ponto de vista cient?fico, foi o Dr. Edward Hooker Dewey ? m?dico americano que publicou The No-Breakfast Plan em 1900.

A proposta de Dewey era simples: a manh? n?o ? o momento certo para comer. Sua observa??o cl?nica, desenvolvida ao longo de d?cadas de pr?tica, era que pacientes que tomavam um caf? da manh? substancial frequentemente adoeciam mais do que os que n?o o faziam. Ele passou a recomendar que pacientes doentes pulassem o caf? da manh? completamente e comessem apenas quando genuinamente com fome, e encontrou melhora consistente em uma ampla variedade de condi??es.

O "plano sem caf? da manh?" de Dewey foi o precursor do que hoje chamar?amos de alimenta??o com restri??o de tempo. Ele n?o defendia jejuns de v?rios dias ? sua interven??o era simplesmente comprimir a janela de alimenta??o eliminando a primeira refei??o do dia. Seu racioc?nio cl?nico antecipou em mais de um s?culo a compreens?o moderna dos ciclos de insulina e dos padr?es de alimenta??o circadiana.

Sinclair citou o trabalho de Dewey em The Fasting Cure e o creditou como uma das primeiras vozes m?dicas a argumentar que menos comida, distribu?da de forma mais estrat?gica, era frequentemente uma medicina melhor do que mais comida em intervalos regulares.

Dra. Linda Burfield Hazzard: Controv?rsia no Extremo

Nenhum relato sobre os primeiros defensores do jejum estaria completo sem reconhecer sua figura mais controversa: a Dra. Linda Burfield Hazzard, de Seattle, Washington.

Hazzard era uma praticante que usava o jejum ? muitas vezes prolongado ? como principal ferramenta terap?utica, e que administrava um sanat?rio de jejum na Ilha Olalla, Washington, chamado "Wilderness Heights." Publicou um livro, Fasting for the Cure of Disease (1908), e tratou muitos pacientes ao longo de v?rias d?cadas.

O problema foi que v?rios de seus pacientes morreram. Hazzard foi condenada por homic?dio culposo em 1912, ap?s a morte de uma paciente brit?nica sob seus cuidados. Ela sustentou durante todo o processo que a paciente havia chegado com uma condi??o terminal, n?o que o jejum tivesse causado a morte.

Sinclair incluiu uma carta de Hazzard como ap?ndice em The Fasting Cure, apresentando-a como defensora do jejum terap?utico contra uma persegui??o injusta. Historiadores modernos t?m uma vis?o mais complexa. A hist?ria de Hazzard representa tanto o potencial quanto o risco do jejum realizado sem monitoramento adequado ? um cap?tulo de alerta na hist?ria dessa pr?tica.

O Que a Ci?ncia Confirmaria Mais Tarde

Quando Upton Sinclair descreveu sua experi?ncia de "mat?ria m?rbida" sendo consumida antes dos tecidos saud?veis durante um jejum, ele estava tateando em dire??o a um conceito que s? seria descrito adequadamente 75 anos depois: a autofagia. O Pr?mio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 2016 foi concedido a Yoshinori Ohsumi por seu trabalho que caracterizou os mecanismos pelos quais as c?lulas desmontam e reciclam seus pr?prios componentes danificados ? exatamente o processo que Sinclair observava e explicava precariamente em 1911.

Quando Sinclair descreveu a limpeza da l?ngua durante o jejum como sinal de que a desintoxica??o estava completa, ele observava um fen?meno real ? a cessa??o da excre??o de subprodutos metab?licos pelas superf?cies mucosas ? sem ter a linguagem bioqu?mica para explic?-lo.

Quando Macfadden insistia que o repouso digestivo peri?dico era essencial para a sa?de, ele antecipava pesquisas sobre regenera??o do microbioma intestinal, reparo da permeabilidade intestinal e recupera??o imunol?gica da mucosa que surgiriam um s?culo depois.

Isso n?o significa que tudo o que esses pioneiros escreveram estava correto. A "teoria da fermenta??o" das doen?as de Sinclair, embora captando algo real sobre a rela??o entre dieta e inflama??o, exagerou na conclus?o. As afirma??es de Macfadden eram frequentemente inverific?veis e ?s vezes irrespons?veis. Os resultados de Hazzard falam por si.

Mas como documentos hist?ricos de experimenta??o humana, observa??o e advocacia, esses relatos iniciais merecem mais aten??o do que normalmente recebem. Os pioneiros que defenderam o jejum antes de a ci?ncia existir para apoi?-los estavam, ? sua maneira imperfeita, apontando para algo real.

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Perguntas Frequentes

P: Quem foi a primeira pessoa a promover o jejum como medicina? R: O jejum terap?utico tem ra?zes antigas ? nas tradi??es religiosas e na medicina grega primitiva ? mas seus principais defensores modernos no final do s?culo XIX e in?cio do s?culo XX incluem o Dr. Edward Hooker Dewey, Bernarr Macfadden e Upton Sinclair. Cada um abordou o tema de um ?ngulo diferente: pr?tica m?dica, cultura f?sica e jornalismo de sa?de pessoal, respectivamente.

P: O que o livro de Upton Sinclair dizia sobre o jejum? R: Em The Fasting Cure (1911), Sinclair documentou seus pr?prios dois jejuns de doze dias e os relatos de 277 epis?dios de jejum coletados de leitores. Ele argumentou que a maioria das doen?as cr?nicas era causada por toxinas resultantes do excesso alimentar, e que o jejum permitia ao corpo se limpar e se reparar. Ele foi amplamente rejeitado pelo establishment m?dico de sua ?poca.

P: Os primeiros pioneiros do jejum eram levados a s?rio? R: N?o pela medicina convencional. Upton Sinclair foi publicamente descartado como sensacionalista. Macfadden era considerado um exc?ntrico da sa?de. O plano sem caf? da manh? de Dewey foi amplamente ignorado. Sua reabilita??o veio lentamente, com o ac?mulo de pesquisas ao longo do s?culo seguinte.

P: A hist?ria do jejum ? documentada cientificamente? R: A documenta??o cient?fica mais rigorosa viria de cientistas, n?o de defensores. O estudo de Francis Gano Benedict de 1915, realizado na Institui??o Carnegie de Washington ? A Study of Prolonged Fasting ?, submeteu um jejum de 31 dias ? medi??o cient?fica mais rigorosa dispon?vel na ?poca, servindo de contraponto aos relatos populares que Sinclair e outros produziram.

P: O que esses primeiros pioneiros acertaram? R: Bastante coisa, em linhas gerais. A ideia de que o repouso digestivo tem propriedades curativas ? hoje apoiada por pesquisas sobre reparo do microbioma intestinal, permeabilidade intestinal e redu??o de processos inflamat?rios. A observa??o de que a clareza mental melhora durante o jejum se alinha ?s pesquisas modernas sobre BDNF e corpos cet?nicos. O princ?pio de que a qualidade dos alimentos ? e n?o apenas a quantidade ? determina os resultados de sa?de tornou-se um pilar da ci?ncia nutricional moderna.

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Este artigo baseia-se em pesquisa hist?rica de 1911 e tem finalidade exclusivamente informativa ? n?o constitui aconselhamento m?dico.

Sinclair, U. (1911). The Fasting Cure. Mitchell Kennerley.


Este artigo ? apenas para fins informativos e n?o constitui aconselhamento m?dico. Consulte sempre um profissional de sa?de qualificado antes de iniciar qualquer protocolo de jejum, especialmente se tiver alguma condi??o de sa?de pr?-existente.

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